
Entre os dias 16 e 19 de março, a COOPERCUC realizou a implantação de quatro novas áreas de AgroCaatinga nos municípios de Uauá e Canudos. A ação, fruto do projeto Florescer, L’Occitane através do ATER Coopercuc, representou um desafio para a equipe, com a meta de implantar uma área por dia, mobilizando agricultores, técnicos e parceiros em um esforço coletivo.
A atividade foi marcada pelo trabalho em mutirão, prática tradicional no campo que também fortalece os princípios da agroecologia. Para Egidio Trindade, coordenador de ATER da cooperativa, o processo vai além da força de trabalho.
“O AgroCaatinga parte de um resgate do que as gerações antepassadas faziam, era comum a prática dos mutirões. É fundamental para o processo da agroecologia. Não é um mutirão só da força de trabalho, é também um mutirão de construção de conhecimento, onde as pessoas constroem uma interrelação, com troca de experiências entre agricultores e equipe técnica. É uma montanha de conhecimento”, destacou.
O projeto tem apresentado resultados expressivos ao longo de sua execução. Segundo Sérgio Tafner, engenheiro florestal e representante da L’Occitane, a iniciativa já alcançou impactos significativos.
“A gente já conseguiu, por meio desse projeto, reflorestar o equivalente a 13 campos de futebol, um total de 100 mil metros quadrados. Já beneficiou 54 famílias, mais de 200 pessoas diretamente, além de mais de 500 capacitadas com essa prática. Já produzimos mais de 95 mil quilos de alimentos, contribuindo para a segurança alimentar e geração de renda dessas famílias”, afirmou.
Além dos resultados produtivos e ambientais, o AgroCaatinga também promove inclusão social e perspectivas para o futuro. Para Isaac Wallacy, presidente da COOPAPI, o impacto vai além da geração de renda.
“É importante a inclusão social da família nessas áreas. Quem sabe as crianças de hoje, que serão nosso futuro, não vão desenvolver novas técnicas para melhorar ainda mais esse trabalho”, ressaltou.
Entre os beneficiados, o sentimento é de conquista e transformação. A agricultora Érica Cardoso, da comunidade roça do Tigre, em Uauá, destacou a importância da experiência.
“Para mim foi um prazer, é inexplicável a emoção que eu estou sentindo hoje. Nunca imaginei estar contemplada com essa benção. Era um desejo que eu tinha, mas não imaginava viver isso, viajar para outros lugares como Capim Grosso, para o Rio Grande do Norte e ter esse aprendizado para a vida, no campo e fora com as amizades que fiz. Muda tudo na minha vida. Meus familiares vieram pela curiosidade e agora quero que isso leve eles junto comigo”, relatou.
A implantação das novas áreas reforça o compromisso da cooperativa com a convivência com o semiárido, a valorização da agricultura familiar e a construção coletiva de conhecimento no território.
























