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AgroCaatinga avança em Capim Grosso com duas novas implantações, chegando a 50 famílias beneficiadas pelo projeto Florescer

Entre os dias 23 e 26 de fevereiro, o município de Capim Grosso, no semiárido baiano, foi palco de mais cooperação e transformação. Em sistema de mutirão, técnicos, agricultores e parceiros se reuniram para implantar duas novas áreas de AgroCaatinga, tecnologia social que alia recuperação ambiental, produção de alimentos e fortalecimento comunitário.

A ação foi realizada pela Coopercuc, em parceria com a L’Occitane, além da Coopes, Coopapi e Embrapa no âmbito do Projeto Florescer. A iniciativa já soma 50 áreas implantadas em três estados brasileiros, beneficiando famílias agricultoras e fortalecendo a agricultura familiar e a soberania alimentar.

Para além do plantio, o AgroCaatinga é um modelo produtivo adaptado ao bioma, que integra práticas de recuperação de solo, diversificação de culturas e convivência com o semiárido. Mas, sobretudo, é um processo coletivo.

“Com essa já é a sétima área que a gente implementa aqui na região, com parceiros”, destaca Egídio Trindade, coordenador de ATER da Coopercuc. “É um sistema onde a gente consegue colocar práticas ambientais de recuperação de solo e produção de alimentos. A gente consegue envolver todo o trabalho das mulheres, dos jovens, dos agricultores familiares. Então é uma questão social e uma tecnologia que a gente acredita que vai mudar a vida das famílias.”

Durante os quatro dias de mutirão, o objetivo foi garantir alimento na mesa, renda no campo e permanência das famílias em suas comunidades.

Além das novas implantações, o grupo visitou áreas já consolidadas na região. Foi um momento de avaliação, troca de experiências e, principalmente, de satisfação para quem acompanha o projeto desde o início.

Maria Perpétua, agricultora da comunidade Serra da Besta, em Uauá, foi uma das primeiras beneficiadas e não perde um mutirão. Ao revisitar áreas implantadas há cerca de um ano, não esconde a alegria:

“Eu tô feliz em visitar áreas de um ano atrás e ver composta de um tudo, plantas que eu nem esperançava de ver, plantadas por essas mãos e de mais amigos que tiveram aqui (…) Eu sei que ela tá comendo o feijão daqui. Então eu espero que as pessoas que ganharam agora esse projeto continuem, não desistam. É uma salvação para nós que mora no Sertão.”

Representando a L’Occitane, o engenheiro florestal Sergio Tafner reforça o cuidado mesmo após a implantação. “A gente vem estudando, melhorando as técnicas de manejo e os técnicos que acompanham mensalmente conseguem trazer essas atualizações para as famílias e garantir que o solo permaneça coberto, que as plantas, quando necessário, sejam replantadas e que o sistema continue forte e prosperando”.

Com esse suporte e cuidado, o AgroCaatinga revela diversidade: feijão, hortaliças, frutíferas, plantas nativas. Sistemas que cuidam da terra e fortalecem a autonomia das famílias.

O Projeto Florescer tem como foco ampliar o número de AgroCaatingas e consolidar uma rede de agricultores que produzem respeitando os ciclos da natureza e os saberes locais. Ao chegar à marca de 50 áreas implantadas em três estados, o projeto reafirma que convivência com o semiárido não é resistência passiva, é estratégia, ciência e cooperação.

As próximas áreas serão em Uauá, com um desafio: 1 implantação por dia, de 16 a 19 de março.