PT-BR EN ES

Nordeste Plural leva a COOPERCUC à Suécia e encanta o público europeu com os sabores da Caatinga

Fotos: Nayara Karlsson

Projeto Nordeste Plural promove intercâmbio entre Brasil e Suécia ao apresentar a diversidade cultural do Nordeste por meio da fotografia, gastronomia, artesanato e das histórias de comunidades e instituições como a COOPERCUC, retrato da agricultura familiar e valorização da Caatinga.

Os sabores da Caatinga atravessaram o oceano e encontraram um público curioso, receptivo e disposto a conhecer um Nordeste muito além dos estereótipos. No dia 10 de julho, a Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (COOPERCUC) integrou a primeira ação internacional do projeto Nordeste Plural, realizada na Suécia, levando os produtos Gravetero, frutos da agricultura familiar, histórias das comunidades cooperadas e a riqueza cultural do Semiárido brasileiro para uma exposição que uniu fotografia documental, audiovisual, artesanato, gastronomia e experiências sensoriais.

Mais do que apresentar geleias, doces e compotas produzidos a partir dos frutos da Caatinga, principalmente nativos, o projeto, junto a parceria com a cooperativa, levou ao público europeu um modo de vida construído sobre o cooperativismo, a convivência sustentável com o Semiárido e a valorização das pessoas que transformam a biodiversidade da Caatinga em trabalho, renda e desenvolvimento.

Nordeste Plural: um novo olhar sobre o Nordeste brasileiro

A participação da COOPERCUC aconteceu por meio do Nordeste Plural, um projeto independente de arte, comunicação e cultura idealizado pelas brasileiras Nayara Karlsson e ManuLéle (Emanuele Almeida). Desenvolvido a partir de uma extensa expedição pelos nove estados nordestinos, o projeto reúne produções audiovisuais, pesquisa, sabores e itens culturais e tradicionais, além dos relatos locais para apresentar um Nordeste plural e autêntico contado por quem vive e constrói essa região diariamente.

Mais do que uma exposição, o Nordeste Plural é uma iniciativa de valorização da identidade nordestina. Seu propósito é romper com a visão limitada que muitas vezes reduz o lugar às praias ou aos cenários turísticos mais conhecidos, revelando um Nordeste diverso, formado por diferentes culturas, biomas, modos de vida e iniciativas que promovem desenvolvimento, inovação e preservação ambiental.

A proposta é colocar em evidência as pessoas que fazem o Nordeste acontecer: agricultores familiares, organizações, artesãos, mestres da cultura popular, empreendedores, artistas e comunidades que preservam saberes tradicionais enquanto constroem novas oportunidades principalmente para convivência e permanência em seus locais de origem.

A exposição realizada na Suécia marcou o primeiro grande lançamento internacional do projeto. Em um ambiente cuidadosamente planejado, o público percorreu uma experiência multissensorial composta por fotografias, vídeos, textos, paisagens sonoras, artesanato e gastronomia. Cada elemento foi pensado para conduzir os visitantes por uma viagem ao Nordeste brasileiro antes mesmo da degustação dos produtos.

Segundo Nayara Karlsson, a escolha da COOPERCUC aconteceu espontaneamente, por representar exatamente os valores que o Nordeste Plural busca apresentar ao mundo.

“A parceria surgiu de forma muito natural, porque o Nordeste Plural nasceu com o propósito de apresentar um Nordeste autêntico, contado pelas pessoas que vivem esse território todos os dias. Durante nossa expedição conhecemos iniciativas que unem cultura, tradição e desenvolvimento sustentável, e a COOPERCUC representa exatamente esses valores. Mais do que levar produtos, queríamos apresentar um modelo de desenvolvimento construído pelas próprias comunidades do Semiárido, mostrando que tradição, inovação e sustentabilidade caminham juntas.”

Para ManuLéle, a presença da cooperativa sempre foi uma convicção desde a criação do projeto.

“Quando começamos a idealizar o Nordeste Plural, tínhamos a certeza de que o sertão precisava estar representado. Isso significava dar visibilidade às pessoas que fazem a cultura nordestina acontecer. A COOPERCUC traduz esse Nordeste verdadeiro que queremos apresentar ao mundo: um povo capaz de transformar os frutos da sua terra em oportunidades, preservando a natureza, fortalecendo as famílias e valorizando sua cultura.”

Ela destaca que a cooperativa tornou-se uma das maiores representações do Semiárido dentro do projeto justamente por reunir agricultura familiar, protagonismo das comunidades, preservação da Caatinga e desenvolvimento sustentável.

“A COOPERCUC nos permite mostrar um Nordeste completo, plural, construído pelas pessoas. Ela é uma grande vitrine desse Nordeste que merece ser conhecido, respeitado, visitado e divulgado por todos.”

Uma experiência cultural construída pelos sentidos

Muito além de uma exposição fotográfica, o Nordeste Plural foi concebido como uma experiência de imersão cultural. Antes de conhecer os sabores da Caatinga, os visitantes eram convidados a percorrer imagens, histórias, paisagens e relatos que revelavam a sua diversidade. A proposta dialogava diretamente com um dos costumes mais tradicionais da cultura sueca: o Fika, momento dedicado à pausa, ao encontro e ao compartilhamento entre as pessoas.

Inspiradas nesse conceito, as idealizadoras transformaram a degustação em uma ponte entre culturas.

“O Fika representa muito mais do que tomar um café. É um momento de convivência, de presença e de troca. Pensamos: por que não proporcionar essa experiência utilizando os sabores do Nordeste? Queríamos que as pessoas conhecessem primeiro as histórias, os frutos, o umbuzeiro, a Caatinga e as comunidades para depois experimentarem os produtos. Assim, a degustação completaria toda essa viagem pelo nosso Nordeste.”, explica ManuLéle.

A proposta despertou curiosidade antes mesmo da abertura oficial da exposição.

Durante a vernissage (inauguração da exposição), quando os produtos ainda não estavam em degustação, muitos visitantes já perguntavam como poderiam experimentá-los ou adquiri-los. O interesse confirmou que a combinação entre fotografia, cultura e gastronomia havia alcançado o objetivo de despertar novos olhares sobre o Nordeste brasileiro.

Segundo as idealizadoras, essa sempre foi a essência do projeto.

“Queremos contagiar as pessoas com um Nordeste verdadeiro. Mostrar um Brasil construído pelas pessoas, pela agricultura familiar, pelos artesãos, pelas comunidades. Quando contamos histórias reais, elas tocam o coração das pessoas.”

Sabores que conquistaram o público sueco

A expectativa criada pela exposição se confirmou durante a degustação. Os produtos Gravetero foram recebidos com entusiasmo pelos visitantes e todos os itens levados para a Suécia foram completamente degustados ao longo do evento. Para as idealizadoras, o sucesso da experiência foi resultado da construção de uma narrativa que apresentou, antes dos sabores, a história das famílias agricultoras, dos frutos nativos e da própria Caatinga.

“A degustação foi apenas a cereja do bolo. Ela completou toda essa experiência de admiração que conseguimos proporcionar pelo nosso Nordeste. Todo mundo amou. O mais importante era apresentar um Brasil real, construído pela agricultura familiar, pelas pessoas e pelas comunidades. Esse é o Nordeste que queremos levar cada vez mais longe”, afirma ManuLéle.

Os produtos beneficiados com maracujá da Caatinga despertaram grande curiosidade entre os suecos, principalmente por apresentarem um sabor diferente daquele conhecido na Europa. As geleias e doces de umbu também chamaram atenção por equilibrar acidez e doçura, além de despertarem interesse pela história da fruta e sua importância para o bioma.

Para ManuLéle, mais do que identificar um produto favorito, foi marcante perceber que cada degustação despertava perguntas sobre a origem dos frutos, o trabalho das comunidades e a forma de produção da cooperativa.

“Apresentamos primeiro a história da COOPERCUC, dos frutos, do umbuzeiro e da importância da Caatinga. Depois vieram os sabores. O que mais chamou atenção foi perceber que aqueles alimentos representam famílias, dignidade, preservação da natureza e um modo de viver. Isso é muito valorizado na Suécia.”

COOPERCUC fortalece sua presença internacional

Para o gerente comercial da COOPERCUC, José Gonçalves, a participação no Nordeste Plural representa um importante passo para ampliar o reconhecimento internacional da cooperativa e da agricultura familiar do Semiárido.

“Levar a COOPERCUC para a Suécia foi mostrar que cada produto representa muito mais do que um sabor. Ele carrega a história das famílias agricultoras, a riqueza da Caatinga e a força do cooperativismo. Ver o interesse e o reconhecimento do público internacional reforça que nossa identidade tem valor e pode conquistar novos espaços no mundo.”

Segundo José Gonçalves, iniciativas como essa fortalecem a imagem institucional da cooperativa, aproximam consumidores de diferentes países dessa realidade e demonstram que os produtos da sociobiodiversidade possuem qualidade, inovação e uma história capaz de gerar conexões para além das fronteiras brasileiras.

Uma nova percepção sobre o Nordeste

Para muitos visitantes, a exposição foi o primeiro contato com o Nordeste brasileiro sob uma perspectiva diferente daquela normalmente divulgada no exterior.

A sueca Anna Lindström contou que nunca havia ouvido falar das frutas típicas da Caatinga nem da história da COOPERCUC.

“Primeiro conheci a história das comunidades por meio das fotografias e depois experimentei os produtos. Isso tornou a experiência muito mais significativa.”

A geleia de umbu foi sua favorita.

“Além da qualidade, consumir esses produtos também significa apoiar comunidades que trabalham de forma sustentável e preservam um patrimônio cultural muito importante.”

Já Sofia Andersson destacou a autenticidade da experiência.

“Eu conhecia o Brasil principalmente pelas praias e pelo Rio de Janeiro. Foi a primeira vez que tive contato com a história da Caatinga. Achei muito bonito perceber que cada alimento tinha uma história ligada às pessoas que o produzem.”

Ela conta que a geleia de maracujá da Caatinga foi o produto que mais despertou seu interesse.

“O sabor era diferente de qualquer fruta que eu conhecia. Fiquei curiosa para conhecer a região onde ela cresce.”

Para Lars Nilsson, a exposição mostrou um Brasil pouco conhecido pelo público europeu.

“Conhecer uma cultura por meio das pessoas, da comida e da arte cria uma conexão muito mais verdadeira. Hoje entendo que o Nordeste possui uma identidade muito forte e uma enorme riqueza humana.”

Ele também afirmou que recomendaria os produtos da COOPERCUC caso fossem comercializados na Suécia.

“Além da qualidade, eles representam sustentabilidade, impacto social positivo e apoiam comunidades locais. Acho que muitos suecos se interessariam por sabores tão diferentes dos que estamos acostumados.”

Uma parceria construída por propósitos comuns sendo o resultado a aproximação de culturas

Para as idealizadoras do Nordeste Plural, a participação da COOPERCUC representa muito mais do que uma parceria institucional. Ela traduz a essência do projeto: apresentar um Nordeste construído pelas pessoas, cultura, agricultura familiar e pela capacidade de transformar realidades, além de tornar visível o quanto essas são diversas no decorrer do território.

ManuLéle enfatiza que a história da cooperativa dialoga diretamente com aquilo que o Nordeste Plural pretende mostrar ao mundo.

“A COOPERCUC tem um cuidado especial não apenas com a dignidade humana, mas também com a natureza. Mantém tradições, preserva a cultura e mostra, na prática, o Nordeste que acreditamos existir: criativo, sustentável, acolhedor e construído pelas pessoas. Ela nos ajuda a explicar exatamente do que estamos falando quando apresentamos esse Nordeste plural.”

Ela destaca que a parceria continua além da exposição realizada na Suécia.

“Isso é apenas o começo. Queremos ampliar essa rede de parceiros, levar essa exposição para outros países e também para o Brasil. A COOPERCUC seguirá conosco porque representa um Nordeste verdadeiro e inspira as pessoas por onde passa.”

Nayara Karlsson também acredita que a participação da cooperativa pode abrir caminhos para novas oportunidades.

“Eventos internacionais criam conexões entre produtores, consumidores, pesquisadores e instituições. Mesmo quando os resultados comerciais não acontecem imediatamente, fortalecem a imagem da cooperativa e ampliam o interesse pelos seus produtos e pela história das comunidades que ela representa.”

A participação da COOPERCUC no Nordeste Plural reafirma o papel da cooperativa como referência na valorização da sociobiodiversidade da Caatinga e demonstra que seus produtos carregam muito mais do que qualidade gastronômica. Em cada geleia, doce ou compota estão presentes histórias de famílias agricultoras, conhecimentos tradicionais, conservação ambiental e o compromisso com um modelo de desenvolvimento baseado no cooperativismo e na agricultura familiar.

Ao integrar a primeira ação internacional do Nordeste Plural, a cooperativa levou à Suécia não apenas os sabores da Caatinga, mas também uma nova forma de compreender o Nordeste brasileiro: um território diverso, criativo, resiliente e cheio de oportunidades.

Mais do que conquistar o paladar do público europeu, os sabores Gravetero junto ao projeto, ajudou a construir pontes entre culturas, mostrando que a identidade de um povo também pode ser compartilhada por meio do alimento, da arte e das histórias que unem pessoas de diferentes partes do mundo.